
Não, não tenho coragem não. Não há coragem em nenhuma palavra do que escrevo. A grandeza para mim vem invertida, e do céu viro abismo.
Prefiro dores não minhas, talvez para não sentir dor. É humilhante constatar, mas minha dor é fake. E isso me deixa magoado. Saber que sou a atriz de filme B. De novela mexicana.
Maltrato mesmo porra. Cuspo se for preciso. Recuso a sabedoria que não é minha, então eu cato algo de dentro. Sou dentro por que aquilo que vejo abri uma fenda em mim. Não é espelho não. É buraco, daquele que mostra o outro lado.
Queria muito falar "estou de saco cheio" com propriedade. Mas não estou. Estou cansado. Só isso. Eu não sei beber, não sei fumar, não sei trabalhar à noite, viver a noite.
Do poeta e boêmio recuso os tiros. Eu não sou alvo, e os tiros não foram para mim. Mas aceito a coerência de seu sangue. Sempre aceitarei o vinho que me oferecerem, sempre vou ser ébrio para aqueles que beberem comigo. Mas não dou mais lágrimas a ninguém, prefiro dar minha frieza. Eu não desprezo o mundo, e sei que não sou melhor que ele. Pretendo apenas jogar penas para o inferno, e das cinzas saber se aves ainda voam. Mas eu recuso a suavidade que não é minha.Cuspo se for necessario. Mato se eu precisar.


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